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História de Atibaia
Cidade paulista, com título de Estância, completando 337 anos de muita história é considerada pela UNESCO, como o segundo melhor clima do mundo. Atibaia tem população de mais de 110 mil habitantes. Distante apenas 56 km da Capital de São Paulo. Servida pela rodovia Fernão Dias que liga a Capital dos Paulistas, à Capital dos Mineiros - Belo Horizonte. E, também, pela Rodovia Estadual - Dom Pedro I, que interliga a Via Anhangüera - região de Campinas, com a Via Dutra, região do Vale do Paraíba - Jacaréi. Possui 491 km² de área total, encravada no Maciço da Mantiquera, ao pé da Serra do Itapetinga, que tem de 800 a 1.000 metros de altitude acima do nível do mar. De natureza exuberante, entre campos e montanhas, muitas casas e chalés de veraneio, cortadas pelo Rio Atibaia, vai demarcando enormes plantações de Flores e Morangos. É uma região concentrada de imigrantes japoneses, com os maiores produtores de Flores do Estado e principais exportadores da América Latina, para o mundo todo.

Mais ainda, tem muita área preservada de Mata Atlântica, com cachoeiras, trilhas surpreendentes, que permitem a pratica de esportes "radicais" como "rapel", "trekking", "mountain - bike", jipe e motos. Servindo, inclusive, de sede para vários torneios, campeonatos estaduais e nacionais. Atibaia tem céu azul de brigadeiro, na maior parte, de todas as estações do ano, favorecendo todo tipo de esportes aéreos, até os de vôos livres , em asas deltas ou paragliders.


De povo alegre, festivo, cativante, de muita beleza e calor humano, Atibaia está pronta para você! Venha desfrutar da qualidade de vida e das belezas naturais dessa aconchegante cidade. Venha para Atibaia!!


Fundação de Atibaia

A mais remota referência sobre Atibaia é associado ao Rio Juqueri. Foi concedida a Salvador Pires, em dezembro de 1.610, uma sesmaria (terra sem cultivo ou abandonada, segundo o Dicionário Básico da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira) à margem direita do Anhembi, para os lados do Rio Juqueri acima.

Salvador Pires e seus filhos penetraram pela gleba e depois adentro, muito além dos limites de sua concessão. Neste mesmo período outros iam entrando Guarulhos adentro e outros iam ao norte, sempre em direção ao Rio Juqueri.

Em 1.638 seu genro, Garcia Rodrigues Velho, peticiona, em seu favor e de seu irmão, uma porção de terras que compreenderia uma légua margeando o Juqueri acima, extendendo-se esta faixa de terras até um rio que chama-se Ibiatibaia.

Após esta aparição novamente vemos referência a estas terras em outras petições e inventários, porém o nome dado ao rio às vezes muda-se para Guatubaia.

Os posseiros eram numerosos e sequer preocupavam-se em legalizar sua posse, portanto os documentos são escassos.

O que sabemos, porém, é que não há em nenhum dos documentos menção topográfica ao planalto (peneplano) cercado de montanhas onde Jerônimo de Camargo fundou sua fazenda. A única referência que possuímos é a da compra, por Antônio Pedroso de Barros, sertanista, de terras em Caiossara (região atibaiana), terras estas que lhe foram vendidas por Salvador Pires (provavelmente tomou-lhes somente a posse, pois não foi-lhe concedida sesmaria sobre estas terras).

Em 1.650 havia várias fazendas na região de Caiossara, provavelmente oriundas da povoação de Juqueri.

Somente a menção do nome do rio Ibiatibaia não nos localiza, pois este rio nasce na Serra do Mato Mole, atravessa Nazaré Paulista, Atibaia, e adentra por Campinas.

Somente nas sesmarias de 1.638 aparece claramente o nome Atibaia, sem entretanto precisar seu local exato, e é apenas através do conhecimento das sesmarias confrontantes que presumimos a sesmaria original de Jerônimo de Camargo: começa na desembocadura do Córrego do Lajeado (próximo à antiga Estação Caetetuba).

Jerônimo de Camargo deveria seguir a carreira eclesiástica mas, devido a seu temperamento e sua falta de vocação, tornou-se o homem que foi: um bandeirante.

Fixou-se próximo a São Paulo para cultivar, criar gado e manter seus escravos. Conheceu profundamente a região quando refugiou-se aqui, entre 1.654 e 1.660, tendo descoberto o Planalto entre a Serra do Itapetinga e o Rio Atibaia.

Demarcou as terras, buscou uma caravana e tentou realizar seus planos: uma fazenda neste local. Após dias de viagem dura mata adentro a caravana encontra o planalto demarcado. Procuram água e o melhor veio que encontram é a atual Fonte do Rosário. Armam rancho. Ë dia 24 de junho, dia de São João Batista. Após esforçado trabalho para estabelecer a roça e os ranchos Jerônimo volta a São Paulo. Organiza nova caravana (desta vez com as famílias dos desbravadores) e retorna à Fazenda São João.

A produção da fazenda é excelente devido ao solo, clima e água favoráveis.

Em frente ao rancho principal há uma capela coma imagem de São João Batista. Nos dias santos e domingos ocorriam aí as ladainhas, puxadas pelo Jerônimo de Camargo.

No ano de 1.665, no mês de junho, uma surpresa acomete o fazendeiro: seu velho amigo, Padre Mateus Nunes da Siqueira, está retornando de uma missão de catequização e traz consigo uma legião de índios convertidos. Pela primeira vez a missa na Capela de São João é celebrada por um padre. Realiza-se também um batismo coletivo de todos os gentios do rancho: uma cerimônia especial.

O fazendeiro, interessado no crescimento da população de seu rancho, oferece ao Padre Mateus abrigo para os índios catequizados. O clérigo aceita, dirige-se até São Paulo e regulariza a situação. Omite, porém, o nome do proprietário do local, dizendo apenas que o povoado localiza-se no sertão atibaiano. Esta omissão é compreensível se levarmos em conta os conflitos entre os Pires e os Camargo, que acirrava-se cada vez mais em São Paulo, podendo o fato do povoado pertencer a um Camargo gerar polêmica.

Um ano depois, em 1.666, a Câmara de São Paulo envia dois oficiais de justiça para saber sobre os índios ali instalados. Encontram os goaramimis adaptados e uma fazenda em franca ascensão.

Jerônimo de Camargo deseja fazer crescer o povoado, incentivando e ajudando seus vizinhos para que as imediações de sua fazenda povoem-se mais rapidamente.

O fazendeiro promovia também, às suas expensas, festas religiosas, para as quais vinham gentes de todos os lugares. A capela foi reformada e agora tinha paredes e telhas.

Vários índios vinham e decidiam ficar aqui depois das festas, pois julgavam Atibaia muito hospitaleira. Jerônimo de Camargo obteve tal sucesso em sua empreitada que chegou a incomodar e prejudicar os aldeamentos de Sua Majestade, subtraindo-lhes população.

A Câmara de São Paulo viu-se, então, levada a proibir o clero local de aceitar os índios guarulhos de Sua Majestade na povoação.

Atibaia desenvolvia-se também por ser entreposto comercial entre São Paulo e Minas, comércio este que começava a expandir-se.

Em 1.686 é nomeado Capitão de Atibaia o genro de João Pires. Jerônimo de Camargo chocou-se mas resolveu a situação de modo inteligente: ergueu, com seu dinheiro, uma Capela Curada (que possui Padre próprio).

A nova Capela era mais ampla e bem localizada, conseguindo elevá-la à categoria de Capela Curada logo depois.

A tradição das festas continuou, cada vez mais eram melhores e Jerônimo de Camargo continuava hospitaleiro como sempre. Em 1.687 recebeu presentes do Padre provincial. Após isto, não tem-se notícia dele, exceto que retirou-se para Jundiaí e ali faleceu, no início de 1.707.

Em 1.700 é nomeado Capitão das Ordenanças do Bairro João dos Reis Cabral, casado com uma das netas de Jerônimo de Camargo. Provavelmente em 1.701 o povoado é elevado à categoria de Freguesia, graças aos esforços políticos de Antônio de Prado da Cunha (casado com uma filha de Jerônimo) e Francisco de Camargo Pimentel.

Em 1.713 é nomeado Juiz Vintenário, para a Freguesia de São João de Atibaia, Jacinto da Costa. O Juiz de Vintena era a autoridade que resolvia as pequenas lides entre os moradores do povoado.

Atibaia crescia não só vendendo seus produtos agrícolas para São Paulo como criando um setor terciário devido a sua natural localização como entreposto importante no caminho que levava às Gerais.

A venda aos bandeirantes tornou-se tão promissora que a Câmara de São Paulo determinou que o trigo aqui produzido fosse vendido apenas na Capitania, pois o produto estava em falta devido à comercialização do mesmo com Minas.

Em 1.728 nasce em Atibaia o primeiro estabelecimento comercial: o Empório Aguirre, de José Aguirre do Amaral . Perdeu-o um ano depois, por um ato de deslealdade de seu fiador: arrematou o empório em seu nome e não em nome de José Aguirre.

O povoado crescia e lojas de fazenda foram abertas (estanques). Porém o preço dos produtos foi encarecendo sobremaneira, o que levou os atibaianos a reclamarem ao Senado de São Paulo, que não deu-lhes ouvidos.

Nesta época não haviam muitas estradas: geralmente eram caminhos. E estes caminhos deveriam ser conservados em boas condições: já que a Capitania não dispunha das verbas necessárias criou-se um imposto que obrigava os habitantes dos povoados a conservarem os caminhos. Por diversas vezes os atibaianos foram chamados a pagar multas e até decretara-se a prisão do responsável pela manutenção. Assim, nada mais havendo a fazer, aceitou o povoado de Atibaia esta imposição.

Em 1.761 a política atibaiana revive seu passado e sua origem: Pires X Camargos. Um partidário dos Pires fazendeiro em Caiossara, Frutuoso Furquim de Campos, intenta elevar Atibaia à categoria de Vila. Este fazendeiro era vereador e conseguiu convencer outros de suas idéias. Não que pensasse na comunidade Sanjoanense, mas fazia isto pelos Pires.

Conseguiu que o Ouvidor da Capitania convocasse os de São Paulo para tratar de assuntos importantes. No dia 14 de fevereiro de 1.771 faz inserir na ata uma convocação para o dia seguinte às três da tarde.

Em tão escasso tempo os que não queriam que Atibaia viesse a tornar-se uma Vila nem tiveram tempo de tomar ciência da sessão. Propôs, na sessão do dia 15, que Atibaia fosse elevada à categoria de Vila. Dois ou três dias depois os habitantes vêm a saber do fato e ficam perplexos.

Os Camargo, no poder, na pessoa de Lucas de Siqueira Franco, protestam junto ao Ouvidor que, favorável aos Pires, já havia agilizado e enviado ao Reino a Representação da Câmara.

O ouvidor deu aos insatisfeitos o prazo de três dias para oferecerem suas razões, o que não seria suficiente sequer para visitar três ou quatro sítios em Atibaia. Defenderam-se como puderam e esperaram. Alegaram pobreza e a necessidade de compor politicamente na Vila de São Paulo, vista a Provisão do Vice-Rei, que vinha sendo respeitada ao menos no que concernia às eleições.

O Ouvidor entendeu que a pobreza era geral e que a impossibilidade de enfrentar a política atibaiana e paulistana não era real.

Como podemos ver, Atibaia nasceu de um emaranhado de forças políticas que estendeu-se até o reino de Portugal, tamanha era a força das famílias que disputavam o poder, sem contudo perder suas características regionalistas.

Um problema grave que Atibaia enfrentou foram os atravessadores: mandavam tudo o que conseguiam para a região das Minas - lá faltavam os gêneros básicos e de primeira necessidade, portanto poderiam ser vendidos a preços absurdos.
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